Área de solo fértil equivalente ao tamanho da Grécia é perdida anualmente, aponta PNUMA

By Lea Medeiros,

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Sob o tema “Pare a erosão do solo, salve o nosso futuro”, o Dia Mundial do Solo 2019  buscou aumentar a conscientização sobre o potencial do solo e da agricultura no combate às mudanças globais do clima.

A contribuição do solo para as mudanças climáticas, por meio da oxidação do carbono presente nele, é fundamental. Assim, os solos e, por consequência, a agricultura, podem desempenhar um papel essencial na mitigação das mudanças climáticas, afirma o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Segundo relatório recente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), por meio das várias práticas agrícolas, podemos ajudar a armazenar grandes quantidades de carbono atmosférico no solo, ao mesmo tempo em que regeneramos a sua fertilidade, a saúde das plantas e de ecossistemas inteiros.

O relatório “Colocando o carbono de volta onde ele pertence – o potencial de sequestro de carbono no solo” do PNUMA aponta que essa é uma opção sem prejuízos, que oferece múltiplos benefícios e merece visibilidade de alto nível.

Importância dos solos e desafios atuais para sua conservação

Os sistemas de agricultura industrial conseguem produzir grandes volumes de alimentos para o mercado global. No entanto, causam erosão considerável do solo, perdas de biodiversidade (inclusive de polinizadores) e poluição de corpos de água doce.

Eles promovem uma alta dependência da agroindústria e de seus produtos por grandes quantidades de água doce e de fertilizantes. Segundo relatório lançado em agosto pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), agricultura contribui com cerca de 23% de todas as emissões de gases de efeito estufa induzidas pelo homem – com o setor pecuário representando 14,5% dessas emissões, apontou a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

A fragilidade dos solos, esta fina camada de terra que é a base de quase tudo que cresce e do que comemos, coloca em questão a sustentabilidade da agricultura industrializada. Um problema indiscutível é que estamos perdendo solo devido a estas práticas inadequadas de gestão da terra, avalia o PNUMA.

“No geral, estamos perdendo solo em áreas agrícolas 10 a 40 vezes mais rápido que a taxa de sua formação, comprometendo a segurança alimentar da humanidade”, afirmou o especialista em solo e paisagem do PNUMA, Abdelkader Bensada. “Um quarto da superfície da Terra já está degradada”, avaliou.

Além disso, segundo aponta o relatório, uma área de solo fértil equivalente ao tamanho da Grécia ou do Malauí está sendo perdido todos os anos e, segundo a FAO, cerca de 33% de nossos solos globais estão degradados.

Enquanto isso, uma nova pesquisa divulgada pela Comissão Europeia sugere que condições mais quentes e secas, previstas com a mudança do clima, reduzirão as taxas de decomposição de matéria vegetal morta fornecida pela fauna edáfica (como minhocas, colêmbolos e ácaros) e micróbios (como bactérias e fungos).

Isso pode ter implicações importantes para a agricultura e os ecossistemas naturais em todo o mundo, já que a decomposição de plantas é um processo fundamental no ciclo e na distribuição de nutrientes pelos ecossistemas.

O manejo sustentável da terra e do solo exige um entendimento da relação primordial entre plantas e vida do solo, afirma o PNUMA. As plantas interagem intensivamente com um grande número de microrganismos, em particular micróbios e fungos, no solo.

Ainda segundo o relatório, “em um único grama de solo saudável, pode-se encontrar de 108 a 109 bactérias; 105 a 106 fungos; e muitas outras formas de vida microscópica que influenciam o crescimento e a saúde da planta, bem como o armazenamento de nutrientes e a água no solo”.

Uma conclusão importante do documento é que as práticas agrícolas que aumentam a matéria orgânica do solo são favoráveis ??a uma maior produção de alimentos, maior biodiversidade, maior retenção de água, resistência à seca e outros serviços importantes do ecossistema.

Relatório da ONU sobre poluição do solo

“A poluição do solo é uma das principais ameaças à saúde do solo”, afirma o especialista em solo do PNUMA, Abdelkader Bensada. Para ele, a poluição põe em risco a capacidade dos solos de fornecer serviços essenciais ao ecossistema e coloca em risco a saúde e o bem-estar humanos.

“A atividade humana é a principal fonte de poluição do solo”, acrescentou Bensada. “Atividades industriais e agrícolas, mineração, fabricação, transporte e disposição de resíduos são todas fontes de poluição do solo, o que está se tornando uma emergência global”, concluiu.

A Resolução 3/6 da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente, intitulada Gestão da poluição do solo para alcançar o desenvolvimento sustentável, exige que os Estados-membros tomem medidas para lidar com a poluição do solo.

As áreas específicas de ação incluem:

  • avaliação da extensão e das tendências futuras da poluição do solo, e dos riscos e impactos da poluição do solo na saúde, no meio ambiente e na segurança alimentar;
  • promover uma abordagem coordenada para combater a poluição do solo por meio de uma interface científico-política reforçada;
  • e o compartilhamento de informações nos níveis nacional, regional e internacional.

O PNUMA, a FAO e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estão trabalhando juntos e com outras instituições internacionais, regionais e nacionais em um relatório global sobre o status da poluição do solo no mundo e suas tendências, incluindo o impacto dos fertilizantes e pesticidas na saúde humana.

O objetivo é lançar o relatório na Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em fevereiro de 2021.

Solos saudáveis para o desenvolvimento sustentável

Solos férteis e saudáveis ??ajudarão a alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 1 (erradicar a pobreza) e o Objetivo 2 (erradicar a fome). Já uma melhor gestão do solo ajudará a alcançar o Objetivo 13 (ação contra a mudança global do clima) e o Objetivo 15 (vida terrestre), eliminando o descarte não sustentável.

Enquanto que a diminuição da liberação de produtos químicos e materiais perigosos para o meio ambiente ajudará a alcançar o Objetivo 6 (água potável e saneamento), contribuindo substancialmente para reduzir a poluição do solo.

“Existe, portanto, um vínculo claro entre a saúde do solo e a maioria dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o que exige que governos, o setor privado e a sociedade civil unam forças para evitar novas poluições, minimizar seus efeitos negativos e remediar locais e solos poluídos de risco à saúde humana e ao meio ambiente”, avaliou o especialista do PNUMA sobre o tema.

Dia Mundial do Solo

O tema do Dia Mundial do Solo 2019, celebrado anualmente em 5 de dezembro, foi “Pare a erosão do solo, salve o nosso futuro”.

O objetivo é aumentar a conscientização sobre a importância de sustentar ecossistemas saudáveis ??e o bem-estar humano; enfrentar os crescentes desafios no manejo do solo; e elevar o perfil do solo saudável, incentivando governos, organizações, comunidades e indivíduos ao redor do mundo a se engajarem proativamente na melhoria da saúde do solo.

Clique aqui para ter acesso ao relatório do PNUMA “Colocando o carbono de volta onde ele pertence” (em inglês).

Fonte: ONU Brasil

https://wedocs.unep.org/bitstream/handle/20.500.11822/28453/Foresight013.pdf?sequence=1&isAllowed=y

 

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