Mariangela Hungria recebe o prêmio Antonio Carlos Moniz de Ciência do Solo

By Lea Medeiros,

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Trata-se da maior honraria concedida pela SBCS a um único profissional que tenha,  contribuído extraordinariamente para o avanço da ciência ou da tecnologia na ciência do solo brasileira. Pela primeira vez a premiação foi concedida a uma mulher.

A pesquisadora da Embrapa Soja, Mariangela Hungria da Cunha, foi agraciada com o Prêmio Antonio Carlos Moniz de Ciência do Solo (ACM). Além de ser uma das pesquisadoras brasileiras mais produtivas do país na área de Biotecnologia do Solo, ela é membro titular da Academia Brasileira de Ciências, desde 2008, e acumula uma série de premiações de grande relevância nacional e internacional ao longo de sua carreira, entre elas, o título de Comendadora da Ordem Nacional do Mérito Científico da Presidência da República pela contribuição nas Ciências Agrárias.

A indicação do nome de Mariangela Hungria ao prêmio ACM de Ciência do Solo foi feita pela diretoria do Núcleo Estadual Paraná da SBCS (Nepar). Segundo a correspondência enviada à SBCS, a pesquisadora está entre os grandes nomes da Ciência do Solo no Brasil, com importantes contribuições científicas e tecnológicas para fixação biológica do nitrogênio. Esta tecnologia sustentável traz grandes benefícios econômicos ao país, uma vez que, somente na cultura da soja, os ganhos são estimados em cerca de US$ 15 bilhões anuais por dispensar a necessidade de uso de fertilizantes nitrogenados, além das vantagens ao meio ambiente. “O principal diferencial de seu trabalho está em unir a pesquisa básica, como genômica e proteômica, à pesquisa aplicada, como desenvolvimento de inoculantes microbianos. Como resultado, ela tem mais de 700 publicações, que vão desde artigos científicos publicados em periódicos de alto impacto, a livros didáticos para alunos e cartilhas para agricultores. Além disso, é uma das pesquisadoras brasileiras mais citadas na área de Ciências Agrárias no Brasil, com fator H 40, conforme consta da base de dados Web of Science”, informou o documento de indicação da pesquisadora.

A homenageada é membro da SBCS desde o início da década de 1980 e participa ativamente na comissão de Biologia do Solo da Divisão 1 –“Processos e Propriedades do Solo”. Foi a primeira mulher a presidir a SBCS, ocupando o posto entre 2001 e 2003, além de ter tido participação ativa na criação do Nepar, do qual participa como membro efetivo na comissão “Biologia do Solo”. Ela também organizou e presidiu o XXVIII Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, realizado em Londrina, em 2001.  Além das inúmeras contribuições da pesquisadora aos avanços científicos e tecnológicos na Ciência do Solo brasileira, o Nepar também ressaltou o papel de Mariangela Hungria na valorização do papel da mulher na SBCS.

Conheça a homenageada

Mariangela Hungria é agrônoma formada pela Esalq/USP, em 1979, com mestrado na mesma instituição, 1981, doutorado na UFRRJ, em 1985 e pós-doutorado na Cornell University, em 1989 e na University of California – Davis, em 1991, e também na Universidade de Sevilla (1998). Ela é pesquisadora da Embrapa desde 1982 e está lotada na Embrapa Soja desde 1991. É professora e orientadora da pós-graduação em Microbiologia e em Biotecnologia na Universidade Estadual de Londrina e no curso de Bioinformática na UFTPR. Colaborou com a formação de mais de 200 profissionais, entre pós-doutores, pós-graduados e graduados.

Como pesquisadora, Mariangela atua principalmente em Biotecnologia do Solo, tem mais de 700 publicações, entre trabalhos científicos, livros, capítulos de livros e publicações técnicas, além de ser revisora de mais de 20 revistas indexadas nacional e internacionalmente. Vários trabalhos dela foram transformados em produtos de grande utilidade para a agricultura brasileira. Ela lançou mais de 20 tecnologias, incluindo rizóbios para a cultura do feijoeiro, Azospirillum para milho, trigo, braquiárias, coinoculação de rizóbios e Azospirillum para soja e feijoeiro. Trabalha cem várias parcerias privadas no desenvolvimento de novos inoculantes microbianos, com diversos produtos já registrados e comercializados. Recentemente, Mariangela assumiu a curadoria do Banco de Germoplasma de Microrganismos para a Produção de Inoculantes Microbianos, homologado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Ela também coordena a única estação quarentenária homologada pelo Mapa para inoculantes microbianos do Brasil.

Mariangela Hungria é revisora de mais de 20 revistas indexadas nacionais e internacionais, representante brasileira na rede de biofertilizantes Ibero-Americana Biofag e foi vice-presidente e presidente da RELARE (Reunião da Rede de Laboratórios para a Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologia de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola), entre 2010-2016. É consultora da Fundação Bill & Melinda Gates para projetos de fixação biológica do nitrogênio na África, bem como de projetos com a Argentina, México e Peru, além de atuar em projetos em colaboração com a Espanha, Austrália e França. Ela é pesquisadora do CNPq desde 1992 e está no nível 1ª, desde 1998. Em 2010 recebeu o troféu “Glaci Zancan Mulheres de Ciência do Paraná” e o prêmio “Honorary Scientist & Advisor on Agricultural Green Technology”, do Rural Development Administration (RDA, Coreia). Em 2012 recebeu o prêmio Frederico de Menezes Veiga, da Embrapa, sobre o tema “A Agricultura na Economia de Baixa Emissão de Carbono”. Em 2015, foi agraciada com o Prêmio Claudia, na categoria ciências e, em 2018, com a Medalha de Mérito pelo CREA-PR e Medalha de Mérito Nacional CONFEA/CREA, além de outras premiações.

Em seu discurso, durante a homenagem, Mariangela Hungria se emocionou ao relembrar sua relação de amizade com Johanna Döbereiner e Antonio Carlos Moniz. “Esta homenagem, tão emocionante e importante para mim, carrega o nome do meu velho amigo. Nesta etapa da vida em que eu deveria estar “dando mais do que recebendo”, venho para o congresso com a mesma vontade de aprender coisas novas, assim como eu tinha lá em 1981, quando participei do meu primeiro CBCS, em Salvador, e conheci Johanna Döbereiner. Esse entusiasmo não envelheceu dentro de mim. Venho a este congresso, em Cuiabá, com a mesma alegria de reencontrar os amigos. E, em meio a toda essa alegria, a surpresa da premiação. Resta agradecer muito, dizer que continuarei a tentar fazer o melhor que posso pela microbiologia do solo no Brasil e pela SBCS”.  disse ela.

O prêmio ACM, da SBCS, foi entregue a Mariangela Hungria durante a abertura do XXXVII CBCS, em Cuiabá, dia 21 de julho.

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