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Notícias


SBCS lamenta o falecimento do professor Alfredo Sheid Lopes24/05/2020

A SBCS comunica, com muito pesar, falecimento do professor Alfredo Scheid Lopes, ocorrido dia 23 de maio, vítima de um câncer.  Professor emérito da Universidade Federal de Lavras (UFLA) era conhecido por alunos e colegas de trabalho como Alfredão, não apenas porque chamava atenção pela estatura, mas também pelo carisma e carinho que sempre dispensou a todos os que o rodeavam. Ele faria 83 anos em dezembro.

Foi professor da área de Fertilidade e Manejo de Solos dos Trópicos da UFLA desde 1962. Aposentou-se em 1990, mas nunca deixou de atuar no Departamento de Solos da Instituição, como professor, pesquisador e orientador. Alfredo Sheid foi um dos pioneiros em pesquisas com solos do Cerrado brasileiro, nos anos 1970. Foi sócio e grande incentivador da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. Como personagem carismático, criou seu próprio site, onde registrou sua enorme produção científica, palestras e outros matérias para consulta de sua obra, além de seus hobbies e curiosas histórias pessoais que se divertia ao contar.

Durante o XXXIII Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, realizado em Florianópolis, em 2013, Alfredão foi homenageado com o Prêmio Pesquisador Sênior do IPNIInternational Plant Nutrition Institute. A premiação representa o reconhecimento aos pesquisadores do país que contribuem para o desenvolvimento e promoção da informação científica sobre o manejo responsável dos nutrientes das plantas. Os candidatos são escolhidos por uma comissão nomeada pela SBCS.

Em um discurso muito emocionado ao receber o prêmio, o professor Alfredo Sheid Lopes dedicou o prêmio à família e à UFLA. “Sempre transformei desafios em oportunidades”, disse lembrando-se de quando precisou levar mais de uma tonelada de solos para os EUA para estudar a fertilidade do cerrado brasileiro. “O magistério e a ciência do solo são profissões de fé na continuidade da produção de alimentos com sustentabilidade ambiental e é essa a profissão de fé que espero de meus alunos”, disse ele pedindo aos jovens mais dedicação aos estudos sobre integração lavoura/pecuária. “Meus alunos são a razão da minha existência”, concluiu emocionando a plateia.

Para a presidente da SBCS, Lúcia Anjos, “hoje nos deixa um cientista na plena acepção da palavra. Alfredão foi inovador, mesmo quando essa palavra nem era conhecida. Estimado por seus alunos, deixou muitos herdeiros, filhos, netos e até bisnetos, atualmente nas mais diversas universidades e instituições de pesquisa deste país. E ainda era um poeta e seresteiro! Suas lições não serão esquecidas, Mestre, Professor Alfredo!

Léa Medeiros-SBCS

 

No dia 24 de maio, a Sociedade Latino-americana de Ciência do Solo enviou o seguinte comunicado:

Estimados Presidentes de las Sociedades Nacionales que constituyen la
Sociedad Latinoamericana de la Ciencia del Suelo

Señores presidentes; con profundo pesar informamos a Ustedes el sensible
fallecimiento del Dr. Alfredo Scheid Lopes, quien en vida fue uno de los pioneros
en investigación en suelos del Cerrado brasilero, fue socio y gran incentivador de la
Sociedad Brasilera de la Ciencia del Suelo, profesor emérito de la UFLA.
Compartimos con ustedes esta gran pérdida para la Ciencia del Suelo de Brasil y para
la SLCS.
“Quien paso por nuestras vidas y dejo luz, resplandecerá en nuestra
alma para toda la eternidad”
Expresamos nuestro sentido pésame a sus familiares y amigos, que el Señor conceda
paz y consuelo en este momento difícil.
Las palabras nunca alcanzan cuando lo que hay que decir desborda el alma.

Dra. Elisângela Benedet da Silva
Presidente de la Sociedad
Latinoamericana de la Ciencia del Suelo

Ing. Mary Selva Viera
Secretaria General de la Sociedad
Latinoamericana de la Ciencia del Suelo


18/05/2020

O livro é uma coletânea de 13 artigos publicados no Boletim Informativo da SBCS e que tiveram o professor Victor Hugo Alvarez V. (UFV) como primeiro autor. Os temas giram em torno da estatística, técnicas experimentais   e o zelo pelo bom e necessário rigor no uso de variáveis, valores e unidades. Seu alcance vai além da ciência do solo porque trata da ciência em sua própria natureza e formas de expressão por meio de números e equações!

O preço de lançamento, até 30 de junho, será R$ 41,00 para sócios e R$ 49,00 para não sócio.

Mais informações e venda na loja virtual da SBCS ou pelo whatsApp (31) 3612-4542


Pandemia adia eventos da SBCS em 202005/05/2020

As dificuldades trazidas pela necessidade do distanciamento social e a falta de perspectivas sobre o desfecho da pandemia levaram a SBCS a adiar os eventos marcados para 2020. Mas o Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, ano que vem, está confirmado.

A XXI Reunião Brasileira de Manejo e Conservação do Solo e da Água (XXXI RBCSA 2020) seria realizada em novembro, em Uberlândia, promovida pelo Núcleo Regional Leste da SBCS. Os organizadores estão trabalhando para encontrar uma nova data para o evento. Mais informações pelo e-mail: rbmcsa@fbeventos.com.

A FertBio 2020, que seria realizada em Porto Velho- RO, e organizada pelo Núcleo Regional Noroeste foi cancelada.

Já o X Simpósio Brasileiro de Educação em Solos (X SBCS), vinculado a Divisão 4 da SBCS (Solos, Ambiente e Sociedade), foi adiado e será promovido entre os dias  2 e 6 de março de 2021. A organização será da UNIVASF, em parceria com o IF Baiano Campus Santa Inês. A promoção será do Núcleo Regional Nordeste. Este evento já tinha recursos do Programa de Apoio a Eventos  (PAEP) da CAPES e foi possível prorrogar o prazo.

O XXXVIII Congresso Brasileiro de Ciência do Solo (CBCS), marcado para agosto de 2021, em Florianópolis está confirmado e deverá ser realizado juntamente com o XXIII Congresso Latino Americano de Ciência do Solo (CLACS). Os detalhes da organização do evento serão informados nas próximas edições e no site da SBCS.

 


SBCS lança livro que mapeia as iniciativas de educação em solos no Brasil

O livro é fruto das ações da Divisão IV (Solo, Ambiente e Sociedade) da SBCS e reúne 78 atividades que foram cadastradas pelos respectivos coordenadores, no “Banco de Dados Nacional de Iniciativas de Educação em Solos” (https://bit.ly/33PBibl). Tais iniciativas foram organizadas por regiões do país.

A obra chega em um momento oportuno para a socialização das iniciativas de Educação em Solos no Brasil, concebidas e desenvolvidas por diferentes educadores ao longo dos últimos 20 anos, contextualizadas em diferentes territórios, culturas e áreas do conhecimento.

De acordo com os organizadores do livro-Marcelo Ricardo de Lima, Fabiane Machado Vezzani, Valentim da Silva e Cristine Carole Muggler-“a educação em solos é um processo formativo e humanizador dos sujeitos envolvidos, em que o conhecimento sobre solos é construído a partir de suas vivências”. Ainda para eles, “este conhecimento passa a fazer sentido e parte da vida dos sujeitos de uma forma cada vez mais integrada às suas ações cotidianas. É a transformação da realidade e dos sujeitos na relação com o solo”, disseram eles.

Com esta publicação, os organizadores esperam que o contato entre os agentes dos processos possa ser potencializado, gerando interações entre os projetos e fortalecendo o conjunto de educadores em solos, além de estimular a aproximação de outros.  O Banco de Dados formado para a produção do livro possibilita a realização de análises diversas e, sobretudo, a constatação da complexidade da educação em solos, para além da descrição e caracterização de conteúdos e ações Este Banco continua aberto para inclusão de novas ações que poderão ser adicionadas nas próximas edições do livro.

O livro é destinado a todos os envolvidos e interessados na educação em solos, com especial ênfase às instituições como secretarias estaduais e municipais de educação, de agricultura e de meio ambiente, entidades públicas ou privadas ligadas à educação ambiental,  organizações e associações de agricultores e produtores rurais, grupos que atuam na agricultura urbana, entre outros que tenham interesse ou envolvimento com o tema.

No prefácio da publicação, a presidente da SBCS,  Lúcia Helena Anjos, afirma que “a obra é uma iniciativa de grande importância para a SBCS como registro e  reconhecimento de tantos que dedicam seu tempo, para além das horas normais de trabalho, à educação em solos no Brasil”. Ela destaca ainda que “cada um desses projetos, assim como outros que não foram inseridos no catálogo, contribuiu para o marco de participação brasileira na iniciativa da FAO de celebração do Dia Mundial do Solo, em 2019.  De um total de 507 eventos, em 100 países, o Brasil contribuiu com 79, o maior número em um só país”.


SBCS prorroga prazo para pagamento da anuidade com desconto

A SBCS adiou, até 11 de maio, o prazo para pagamento, com descontos, da anuidade de 2020 que terminaria dia 24 de abril. O adiamento aconteceu porque algumas pessoas tiveram dificuldades em efetuar o pagamento. Agora, você pode fazer o pagamento com calma e se sentir parte da sociedade científica que cuida dos interesses da ciência do solo no Brasil.

A anuidade pode ser pagar a qualquer tempo, mas é sempre bom aproveitar o desconto. Basta entrar no site da SBCS (www.sbcs.org.br) e fazer o pagamento. Em caso de dúvidas, entre em contato pelo whatsApp pelo número (31) 3612-4542

 

 

 

 


Atos da presidência da SBCS01/05/2020

Confira, aqui,  os atos produzidos e assinados pela presidente Lúcia Anjos, no uso de suas atribuições legais nos anos 2019 e 2020.  O objetivo é dar transparência aos atos da presidência, todos eles amparados pelo Estatuto da SBCS. Os atos também podem ser acompanhados neste link .

Ato 01/2019
Prorrogar por 1 (um) mês o mandato da Secretaria Executiva da SBCS, a partir desta data, com a finalidade de conceder tempo hábil para a regularização do novo mandato; e

Designar os sócios nominados abaixo para continuarem nos seguintes cargos da Secretaria

Executiva da SBCS:

Reinaldo Bertola Cantarutti – Secretário Geral

Raphael Bragança Alves Fernandes – Secretário Adjunto

Igor Rodrigues de Assis – Tesoureiro

Ato 02/19
Mediante a deliberação do Conselho Diretor da SBCS em sua reunião de 20 de julho de 2019, em Cuiabá, formalizo a Comissão constituída por Lúcia Helena Cunha dos Anjos, Presidente, Reinaldo Bertola Cantarutti, Secretário Geral, Raphael Bragança Alves Fernandes, Secretário Ajunto, Ademir Fontana, Diretor da Divisão I, Arnaldo Colozzi Filho, Diretor da Divisão II, Alberto Carlos de Campos Bernardi, Diretor da Divisão III, Cristine Carole Muggler, Diretora da Divisão IV e Adriel Ferreira da Fonseca, Diretor do Núcleo Estadual do Paraná, para preparar proposição de alterações do Estatuto e Regimento da SBCS. Os trabalhos da Comissão serão coordenados pelo Secretário Geral, Reinaldo Bertola Cantarutti. A proposição de alteração deverá ser concluída e encaminhada para apreciação pelo Conselho Diretor até 31/05/2020.
Viçosa, 25 de setembro de 2019.

Ato 03/19
Criar no âmbito da SBCS e vinculado à Divisão 1 -Solo no Espaço e no Tempo,o Grupo de Trabalho “Publicação das Reuniões de Correlação e Classificação de Solos (RCC)” e nomear os sócios Marcos Gervasio Pereira (Líder) e José Francisco Lumbreras (Vice-líder)para integrarem sua coordenação. O objetivo do Grupo de Trabalho será resgatar os documentos referentes as Reuniões de Correlação e Classificação de Solos realizadas e ainda não publicados, e adequá-los para publicação segundo os modelos estabelecidos para as últimas reuniões, tendo como exemplo as RCCs do Acre (IX RCC) e Roraima (XI RCC).
Viçosa, 15 de outubro de 2019

Ato 04/19
Criar no âmbito da SBCS e vinculado à Divisão 1 -Solo no Espaço e no Tempo,o Grupo de Trabalho “Soil Judging Contest no Brasil” e nomear os sócios Fabrício de Araújo Pedron (Líder) e Marcos Gervásio Pereira (Vice-líder)para integrarem sua coordenação. O objetivo do Grupo de Trabalho será discutir os procedimentos e regras para as competições brasileiras, proporcionar a difusão e a realização das competições de solos entre os membros da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS).
Viçosa, 15 de outubro de 2019.

Ato 05/19
Criar no âmbito da SBCS e vinculado à Divisão 1 – Solo no Espaço e no Tempo, o Grupo de Trabalho “Atualização do Sistema de Avaliação da Aptidão Agrícola das Terras (SAAAT)” e nomear os sócios Ademir Fontana (Líder) e Ricardo Simão Diniz Dalmolin (Vice-líder) para integrarem sua coordenação. O objetivo do Grupo de Trabalho será elaborar a revisão e atualização do SAAAT em sua versão teórica, assim como dar subsídios para sua a informatização.
Viçosa, 15 de outubro de 2019.

Ato 06/2019
Criar no âmbito da SBCS e vinculado à Divisão 1 -Solo no Espaço e no Tempo, o Grupo de Trabalho “Pedomemória: solo como memória das mudanças climáticas e ambientais” e nomear as sócias Ingrid Horák Terra(Líder) e Márcia Regina Calegari (Vice-líder)para integrar em sua coordenação. O objetivo do Grupo de Trabalho será proporcionar a difusão do importante papel que os solos apresentam frente às mudanças climáticas e ambientais, no que tange ao seu uso como registros de episódios passados.
Viçosa, 15 de outubro de 2019.

Ato 01/2020
Criar no âmbito da SBCS e vinculado à Divisão 2 – Processos e Propriedades do Solo, o Grupo de Trabalho “Ensino de Mineralogia” e nomear os sócios Antônio Carlos de Azevedo (Líder) e Eloise Mello Viana de Moraes (Vice-líder) para integrarem sua coordenação. O objetivo do Grupo de Trabalho será proporcionar a difusão da mineralogia entre os membros da SBCS, bem como produzir materiais didáticos para pesquisadores e/ou professores que atuam na área da ciência do solo ou correlatas.
Viçosa, 19 de fevereiro de 2020

Ato 02/2020
Criar no âmbito da SBCS e vinculado à Divisão 2 – Processos e Propriedades do Solo, o Grupo de Trabalho “Ensino de Mineralogia” e nomear os sócios Valdomiro Severino de Souza Júnior (Líder) e Antônio Carlos de Azevedo (Vice-líder) para integrarem sua coordenação. O objetivo do Grupo de Trabalho será congregar especialistas em mineralogia de areia para melhor compreensão da reserva mineral dos solos e da pedogênese, além de propor subsídios para o Sistema Brasileiro de Classificação do solos.
Viçosa, 19 de fevereiro de 2020.

Ato 04/2020
Criar no âmbito da SBCS comissão para, no prazo de 60 dias, elaborar proposta de premiação de teses e dissertações, bem como de trabalhos de estudantes de graduação que forem apresentados por ocasião do Congresso Brasileiro de Ciência do Solo; e nomear os sócios Júlio César Azevedo Nóbrega, Estevão Vicari Mellis e Ademir Fontana, sob a presidência do primeiro, para integrarem a respectiva comissão.
Viçosa, 13 de março de 2020.

 

 

 

 


Editorial Newsletter março/abril 202030/04/2020

No curso dos seus 73 anos de história a SBCS tem, continuamente, se adequado ao seu tempo para cumprir a sua missão de promover o intercâmbio intelectual daqueles que atuam na pesquisa, no ensino, na divulgação ou em atividades técnicas para o conhecimento e melhor utilização do solo e da água no Brasil. A SBCS se mantém pulsante justamente porque está sempre se reinventado. Posso citar como exemplos a criação, a partir de 2006, do portfólio de livros-textos e a profunda alteração regimental promovida em 2011. Os livros-textos se tonaram referências para o ensino de solos, nos cursos de graduação e de pós-graduação. A alteração regimental tornou a organização estrutural da SBCS compatível com a International Union of Soil Sciences (IUSS) e dinamizou a Divisões e Comissões Especializadas. Estes foram fatores que viabilizaram a realização do 21st World Congress of Soil Science (WCSS,) ocorrido em 2018, no Rio de Janeiro. Foi, com certeza, uma das maiores realizações da SBCS! Além disso, a alteração regimental levou ao surgimento dos Núcleos Regionais ou Estaduais e de uma nova concepção do Conselho Diretor. Os Núcleos rapidamente se consolidaram e hoje capilarizam as ações da SBCS em todo o território brasileiro. O Conselho Diretor, como órgão legislativo, democratizou a participação dos sócios nas tomadas de decisões da SBCS.

A partir de 2012, ampliou-se a visibilidade internacional da SBCS ao integrar a representação brasileira no Global Soil Partnership (GSP), um organismo de assessoramento da FAO para questões relacionadas aos solos. Marco igualmente relevante para este propósito foi a modernização na Revista Brasileira de Ciência do Solo, colocando-a em condições de igualdade aos destacados periódicos internacionais da ciência do solo.

Por sua vez, Boletim Informativo passou por metamorfoses que aprimoraram tanto o seu conteúdo quanto o seu layout gráfico.  Mais recentemente, adequando-se à uma necessidade atual, a SBCS inseriu-se nas mídias sociais. Hoje já temos mais de oito mil seguidores no Instagram e 20 mil no Facebook.

Em sua reunião ordinária, durante o XXXVII CBCS, em Cuiabá-MT, o Conselho Diretor referendou duas propostas da Secretaria Executiva que passam a valer a partir de 2020.  A primeira, altera a periodicidade do Boletim Informativo passando-o para semestral, com circulação exclusivamente em formato digital. A outra proposta referendada foi a criação de uma Newsletter como novo veículo de comunicação com sócios da SBCS e sociedade em geral. Pretendemos que essa Newsletter seja mensal, circulando sempre no início de cada mês, com as notícias do período anterior. Este novo veículo supre a necessidade de informar nossos sócios sobre as notícias internas da SBCS, com novidades sobre a Diretoria, Secretaria Executiva, Núcleos, Divisões e Comissões. São notícias importantes que relatam e registram a história e o cotidiano da nossa Sociedade, como fazíamos no Boletim Impresso. Além de notícias, teremos ainda artigos opinativos e notícias sobre políticas de ciência e tecnologia no Brasil e no mundo, que interferem no nosso fazer científico. Aos nossos sócios, pedimos que fiquem atentos ao recebimento das nossas edições e convidem alunos e colegas a também se cadastrarem para recebê-las.

Nossa primeira edição circula num período muito difícil e diferente para todos nós com a pandemia do novo coronavírus. Estamos em busca de novas formas de comunicação, assim como encontraremos novos meios de conviver com as mudanças que a pandemia nos trará.  Nos adaptaremos às mudanças para continuarmos a defender o princípio da nossa SBCS de promover a ciência do solo brasileira. Neste momento também é oportuno conclamar a todos para se associarem à nossa Sociedade que, para ser grande, depende de todos nós.

Reinaldo Bertola Cantarutti

Secretário Geral da SBCS


29/04/2020

Em março, a SBCS manifestou-se publicamente contra a Portaria 34/2020 da Capes que alterou os critérios de distribuição de bolsas para programas de pós-graduação no País.

Em abril, a SBCS voltou a escrever ao ministro Marcos Pontes cobrando a definição de programas prioritários para apoio à pesquisa básica e solicitando mais diálogo entre a comunidade científica e o MCTIC em relação à definição de prioridades para a ciência brasileira para os próximos anos.

Nota da SBCS sobre a Portaria 34

Carta ao Ministro Marcos Pontes


SBCS comemora Dia Nacional da Conservação do Solo e Dia da Terra23/04/2020

Para celebrar o Dia do Solo, em 15 de abril, a SBCS pediu a algumas pessoas que atuam nesta área para gravar pequenos vídeos dizendo o que deve ser comemorado e quais os desafios para a conservação do solo e da água no Brasil. Os vídeos foram publicados nas contas da SBCS no Facebook e Instagram e visualizados por quase cinco mil pessoas, além de diversas interações elogiando a iniciativa.  Atenderam nosso convite os seguintes pesquisadores:

Beno Wendling: professor da UFU e organizador da próxima Reunião Brasileira de Manejo e Conservação do Solo e da água, que será em novembro, em Uberlândia.

Arcângelo Loss: professor da UFSC e coordenador da Comissão de Manejo e Conservação do Solo e da Água da SBCS

Oromar Bertol: Pesquisador da e ex-presidente do Núcleo Paraná da SBCS.

Leonor Assad: pesquisadora e professora aposentada da UFSC

Dalvan José Reinert: professor da UFSM

Ricardo Simão Dalmolin: professor da UFSM

No dia 22 de abril, data em que se comemorou os 50 anos da instituição do Dia da Terra, foi a vez do professor Carlos Ernesto Schaefer, da UFV gravar um pequeno vídeo comentando a data sob a perspectiva da ciência do solo. Novamente, o resultado foi surpreendente com 4600 visualizações.

A todos os que participaram das iniciativas, a gratidão da SBCS.

Fiquem ligados às nossas mídias socias: @sbcs.solos


Artigo Terra: conservar para (sobre)viver22/04/2020

 

Eu sou a terra, eu sou a vida.

Do meu barro primeiro veio o homem.

De mim veio a mulher e veio o amor.

Veio a árvore, veio a fonte.

Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.

Sou o chão que se prende à tua casa.

Sou a telha da coberta de teu lar.

A mina constante de teu poço.

Sou a espiga generosa de teu gado

e certeza tranquila ao teu esforço.

Extraído de O Cântico da Terra, de Cora Coralina.

Em abril comemoramos duas datas importantes para todos que trabalham com solos no Brasil. Dia 15 é o Dia Nacional da Conservação do Solo e há 50 anos comemora-se no mundo inteiro o Dia da Terra em 22 de abril. Comemorações em meio à crise sem precedentes causada pela pandemia do Covid-19 são muito difíceis, com o mundo sofrendo a pior crise econômica e de saúde em um século. Mas, ainda que a excepcionalidade da crise nos cause desalento e desesperança, este pode ser um momento importante para refletir e avaliar nossas ações como profissionais e como cidadãos.  Os solos são o foco dos estudos e do trabalho da grande maioria de nós integrantes da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS). E a vida na Terra está intimamente relacionada com os solos.

Terra na língua portuguesa pode se referir ao planeta em que vivemos; ao nosso lugar de origem (pátria, terra natal); à parte sólida da superfície da Terra, por oposição ao mar; à uma propriedade rural (minha terra, meu sítio); e ao solo, onde é possível cultivar plantas, criar animais, produzir alimentos, madeira, fármacos e outros produtos essenciais à vida na Terra.

O solo é a principal base para atividades humanas. É fonte direta ou indireta dos nutrientes que alimentam os seres vivos, cuja presença e diversidade é uma característica inerente ao planeta Terra, pelo menos até o momento. O solo tem papel fundamental na produção de biomassa, abriga as partes subterrâneas de plantas e nele podemos encontrar uma grande variedade de organismos vivos, como bactérias, fungos, algas, protozoários, minhocas, insetos e mamíferos. Por ser poroso, com poros de diferentes tamanhos, o solo permite tanto a circulação quanto a retenção de água; atua tanto como reservatório, quanto como filtro de toda a água que por ele passa. No solo encontramos materiais com origem orgânica e mineral, em estado sólido, líquido ou gasoso, e nele ocorrem reações e processos químicos, físicos, biológicos, geoquímicos, bioquímicos e mineralógicos.

O solo tem papel importante nos ciclos biogeoquímicos, é fonte de matéria prima e abriga recursos geológicos e arqueológicos fundamentais para a compreensão da evolução da Terra e da vida. Em ambiente tropical, os processos de alteração são mais intensos, as chuvas podem ser muito erosivas e a biodiversidade exerce o papel fundamental de manter o equilíbrio do sistema solo-clima. Rompendo-se esse equilíbrio, principalmente por meio da eliminação da vegetação nativa diversificada e substituição por extensas áreas de monoculturas de ciclo curto que exploram apenas a camada superficial do solo, são desencadeados processos que causam grandes prejuízos.  Esses processos não surgem apenas na forma de erosão ou de aumento da incidência de pragas e doenças, cedo ou tarde surgem também prejuízos econômicos e sociais, como perda de produtividade, aumento de gastos com insumos e migração de população rural para centro urbanos.

Portanto, proteger o solo é manter a sua capacidade de reproduzir a vida, de armazenar e reciclar nutrientes, e de decompor a matéria orgânica. Conservar o solo é fundamental porque contribui para regular o fluxo de água e o ciclo hidrológico e manter sua função de filtro para elementos e substâncias, garantindo a qualidade das águas superficiais e subterrâneas. Usar o solo adequadamente, em especial com atividades agrícolas, permite produzir alimentos, fármacos, fibras, madeira, e material para uso na indústria.

A agricultura é altamente dependente do clima e as mudanças climáticas em curso1 modificam a produtividade e os ganhos financeiros no setor agrícola. No Brasil, são muitas as experiências bem-sucedidas e inúmeros os profissionais com conhecimento técnico robusto em sistemas agropecuários produtivos. Essas experiências e conhecimentos evidenciam que quanto mais diversificado é o sistema agrícola, maior a sua função ecossistêmica e a sua resiliência. O uso sustentável dos solos e a recuperação de vegetação nativa e de áreas degradadas são ações fundamentais para restaurar o equilíbrio e a sustentabilidade do ambiente rural e urbano.

Atualmente, o país conta com políticas públicas como o Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC) e o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), que são exemplos para diversos países de como estimular a conservação do solo e proteger a Terra, garantindo a competitividade e a sustentabilidade do setor agrícola2. Esses planos favorecem a adoção de sistemas integrados (lavoura-pecuária, lavoura-floresta, pecuária floresta e lavoura-pecuária-floresta), que são menos susceptíveis a variações do clima e têm o importante papel de otimizar o uso de recursos naturais e poupar terra, além de possuírem maior valor agregado. Esses planos estimulam também sistemas agroflorestais, florestas plantadas com espécies nativas ou exóticas, e a recuperação e restauração ecológica, que garante o ciclo hidrológico, o fornecimento de água e de alimento para o meio rural e urbano, e mantém a vazão dos cursos d’água.

Que possamos nos unir em torno do compromisso de proteger o ambiente em que vivemos.  Portanto, é necessário que profissionais das diferentes áreas do conhecimento, e em particular os da Ciência do Solo, incentivem a adoção de modelos de desenvolvimento justo. Conservar solos em áreas rurais implica em utilizá-los dentro dos limites de sua capacidade e em adotar sistemas de produção de baixo impacto e que contribuam para mitigar os impactos já causados. Conservar solos urbanos exige que adotemos políticas inclusivas, que assegurem o direito a terra nas áreas rurais e a moradia adequada nas áreas urbanas, não empurrando populações mais pobres para as áreas mais frágeis ou insalubres. Que possamos compreender que doenças atingem ricos e pobres, mas são os pobres os mais penalizados, porque são os mais frágeis.

Vamos aproveitar esta pandemia para refletir e ajustar nosso olhar para a Terra, para a nossa terra e para os solos. Que todos possamos compreender que somos seres inteligentes e poderosos, mas um vírus pode matar milhões de nós em alguns meses. Nossos conhecimentos e tecnologias podem nos levar muito longe e muito rapidamente, mas se não respeitarmos o ambiente, nós é que perdemos.

A autora, Maria Leonor Lopes-Assad, é professora aposentada da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

1- IPCC, 2014. IPCC. Climate Change 2014: Mitigation of Climate Change. Disponível em: https://www.ipcc.ch/report/ar5/wg3/. Acesso em: abril 2020.

2- Assad, E. D. et al. Papel do Plano ABC e do Planaveg na adaptação da agricultura e da pecuária às mudanças climáticas. Working Paper. São Paulo, Brasil: WRI